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| O Molho de Vilão |
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| Terça, 19 Julho 2011 19:28 |
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(Salada de Coelho com Molho de Vilão) Estamos no verão e apetece sempre comida apaladada e fria. Desde a minha vivência em Trás-os-Montes me habituei a comer lebre e perdiz com molho de vilão. Nada mais prático e o molho de vilão faz-se muito rápido. Depois de cozer lebre ou perdiz, passa-se ligeiramente sobre o grelhador e cortam-se em pedaços. À parte prepara-se o Molho de Vilão com azeite e vinagre (de boa qualidade, naturalmente transmontanos) até conseguir que o molho fique grosso. Depois junta-se cebola picadinha e salsa, e tempera-se com sal e pimenta. Deita-se este molho sobre a carne. Se deixar de um dia para o outro, guardado no frio, fica melhor. Encontrei este poema de Luís de Araújo (1833 – 1908) e publicado no livro “Viva a Independência da Barriga” (Almanaque do Cozinheiro), com seleção de textos de Manuela Rêgo que transcrevo: O Molho de Vilão É já sabido e já velho Mas vou dizer a razão Porque há molho de coelho, Que é chamado de vilão
Houve um frade franciscano Nédio servo do Senhor, Que era exímio caçador, Era ele e frei Caetano. Tinha espingarda de um cano, Todo o seu belo aparelho, Luzia como um espelho, Como um espelho luzia. Que ele matava o que via, É já sabido e já velho.
Viu um dia um coelhinho Lá na horta do convento, Mas sentindo-o, n’ um momento, Abalou o tal bichinho. Na fazenda de um vizinho Foi meter-se o maganão, Salta um muro o frade então, Não atira ao ver o bicho, Não disse se foi capricho, Mas vou dizer a razão.
Uma moça mui corada Mais corada que um ladrilho, Grita-lhe: - “Dê ao gatilho… Lá está ele na latada”. Pum! Caiu pois à chumbada, O frade fez-se vermelho… E ela disse-lhe em conselho: “Jante vossa senhoria, Hoje em minha companhia, Porque há molho de coelho”.
Picou então três cebolas, E salsa verde picou, Ambas as coisas deitou, Num tacho, a dizer graçolas, Assa o coelho em três bolas, Porque não tinha carvão. Azeite e vinagre então Lhe deita – e piscando o olho, Diz: - Por ser pobre este molho, É chamado de vilão.
In Cem fados de Luiz d’ Araújo.
Esta simplicidade a ajudar a abrir o apetite. Bom verão e não esqueçam que com vinho a comida sabe melhor.
© Virgílio Nogueiro Gomes
Foto © Adriana Freire
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| atualizado em Quinta, 21 Julho 2011 11:00 |